Como este é um blog de viagem, nada mais justo do que fazer um balanço das viagens que fiz durante o ano de 2011 à Europa, durante os meses de julho, agosto e setembro. Foram 3 meses viajando pelo velho mundo, pela Itália, pelas illhas gregas, Dalmácia, etc.
1. ITÁLIA - Começarei pela Itália, mais precisamente, por Roma. Cheguei a Roma em meados de julho, em pleno verão mas ainda com temperatura amena, em torno de 22 graus. Em julho a maioria das lojas e restaurantes ainda estão abertas, ao contrário de agosto quando os italianos saem em férias e muitos estabelecimentos comerciais fecham. Colocam nas portas das lojas e restaurantes cartazes escrito: “chiuso per ferragosto” (fechado para férias de agosto). Ferragosto mesmo inicia dia 15 de agosto, dia de Assunção de Maria .
Diferente de Paris, onde a beleza está na arquitetura, em Roma é a paisagem natural e os monumentos que encantam os visitantes. Exceção ao kitch Vittorio Emanuele, conhecido também como momumento à máquina de escrever.
Monumentos como o Coliseu, o Panteon, o Forum são fascinantes porque nos remetem a história do Império Romano, o maior império do mundo que, somando ao Império Bizantino, durou mais ou menos 1500 anos. Quando viajamos pelo velho continente, principlamente por aqueles países banhados pelo mediterrâneo e pelos países do norte da Africa, encontramos muitos vestígos do antigo Império Romano.
Mas Roma não é só história mas também cinema, literatura, música, artes plásticas, etc. Se você for jantar no .... na Piazza di Spagna, encontrará com Feline nas muitas fotos q cobrem suas paredes, pois era seu restaurante preferido; no La Scalera dei Artisti – onde comi o melhor risoto de camarão da minha vida há também fotos dos frequentadores mais famosos, entre eles, Alberto Sordi,..... Já, no Antico Caffè Greco, na Pz. Di Spagna, são os filósofos e escritores, como o ingles Keats, o alemão Goethe, Liszt e wagner que encontramos eternizados nas suas paredes. Keats morreu (1821) a poucos metros dali, na Keats-Shelley Memorial House.
E, como nas demais cidades europeias durante o verão romano há muitos eventos culturais; na Piazza della Spagna, na Vila Borghese e nas ruínas de Caracala são apresentados concertos, óperas, dança, etc. Roma é, antes de tudo, uma cidade intensa.
Depois de uma semana em Roma fui para o sul da Italia, primeiro a Nápoles e depois, a Capri. Em Nápoles deparei-me com uma greve dos coletores de lixo e com calçadas tomadas por sacos de lixo. Um problema enfrentado pelas administrações municipais desde que a Camorra, a máfia napolitana, passou a dominar os sindicatos. E Nápoles tem também um trânsito caótico, e o uso excessivo da buzina, a presença de grevistas entoando palavras de ordem, tornavam a cidade mais barulhenta ainda.
Diferente disto tudo é a Costa Amalfitana, região de veraneio da alta burguesia italiana e a ilha de Capri, com seus fariglionis, seu mar azul, embora gelado, e sua cidade distribuida em 3 andares, suas ruelas estreitas, cheias de lojinhas e tavernas é um dos lugares mais bonitos da costa. Se você for a Capri, não deixe de apreciar a bela paisagem em um dos seus inumeros terraços tomando um Lemonccelo gelado, a bebida típica da região que lembra um pouco a nossa caipirinha.
2. GRÉCIA – Em seguida peguei um vôo para a Grécia, primeiro fui a Atenas e depois a Mikonos. Os protestos na Praça Sintagma haviam começado em maio mas ainda encontrei, final de julhos muitos jovens acampados em barracas e faixas com palavras de ordem, algumas com foto de Guevara. Mas as manifestações estavam restritas a praça e no resto da cidade não se via movimentação política alguma.
Athenas é antes de tudo, a Acrópole e seus ….degraus, plenamente recompensados pela beleza do local. Também a vista da cidade lá do alto é soberba. Outro lugar que gostei muito foi o Mercado Monastiráki, principalmente na parte reservada aos antiquário e também alguns bares muito simpáticos frequentados por locais.
Mas o melhor de tudo ainda são as ilhas. Dessas, as Ciclades, Mikonos e Santorine são as mais frequentadas por turistas e creio que as mais bonitas também. Mikonos foi paixão a primeira vista. Não deve exister mar mais azul e transparente do que aquele e, o contraste do azul do mar com a paisagem agreste pontilhada de casinhas pintadas de branco, janelas azuis, dão um charme todo especial ao lugar. Também o perfume das arvores frutíferas que encontramos a beira das estradas e nos jardins, são inesquecíveis. Enfrente a sacada do hotel onde fiquei hospedada, havia um pé de abricó perfumadíssimo que invadia meu quarto.
Não há como não se apaixonar pela ilha.
3.ISTAMBUL – Lamentando deixar Mikonos, peguei o barco de volta a Atenas e depois um vôo para Istambul, antiga Constantinopla, na Turquia.
A Turquia desde Atatürk, o fundador da república turca (1923 - 1938), venerado até hoje em todo o país, é um país laico embora, no lado europeu de Istambul, na Península Histórica, onde fiquei hospedada, tenha encontrado muitas mulheres vestidas de burca, mesmo com um calor de 40 graus. Enquanto que o lado oriental é mais moderno, e a maioria das mulheres vestem-se a ocidental. Istambul é esta mistura de oriente e ocidente.
Era Ramadã e um alto falante entoava rezas 3 vezes por dia por toda a cidade. A vantagem é que durante o Ramadâ eles são proibidos de perder uma venda, o que permitiu que eu comprasse dois tapetes por um ótimo preço.
Istambul possui avenidas largas e transporte coletivo de 1o. mundo e, o contraste entre o moderno e o antigo é muito interessante. Mas, de tudo, o que eu mais me fascinou foi o passeio de barco pelo estreito de Bósforo com suas construções do tempo do Império Romano do Oriente, hoje transformadas em hotel de luxo.
- ZAGREB – Depois da Turquia segui para a Croácia, primeiro a Zagreb depois a Split. Zagreb é uma cidade linda, com muitos museus, teatros, galerias e também muitos jardins bem cuidados, apesar dos anos de comunismo e de guerra civil.
Split foi outra surpresa e uma nova paixão. Split é formada pela a cidade alta e a orla marítima, onde concentram-se os turistas; ah, e as ilhas, também belíssimas.
A orla é formada pelo porto, de onde saem os barcos para as ilhas e o calçadão, com um belo projeto paisagístico. E quase toda a extensão do calçadão é tomada pelo castelo de Dioclesiano e, dentro deste encontramos hoteis, bistrôs, lojas, etc. Fiquei em um hostel que também ficava dentro do castelo e também dentro de um bar, supimpa.
Se Paris é uma festa, Split já é um grande muvuca.
- FIRENZE – Meados de agosto começou uma nova fase da minha viagem, agora não mais só, mas na companhia de uma prima. Voltei a Roma para encontra-la e, depois de uma semana em Roma, fomos para Firenze. Pegamos 45 graus, sensação térmica de 47 graus. Firenze é Renascimento Italiano, é Dante Aligheri. Voltei com vontade de ler “A Divina Comédia”, mas acho que as 268 páginas livro do Mario Prata, “Purgatório, a verdadeira história de Dante e Beatriz” vai ser bem mais fácil de ler do que os 14.233 versos e 100 cantos do livro do poeta florentino.
Firenze, apesar da arquitetura belíssima, não empolgou muito, sem muita coisa a fazer além da visitar museus.
- MILÃO – Depois fomos para Milão, maravilhosa. Ao contrário de Firenze, uma cidade medieval, Milão tem avenidas largas e muitos espaços abertos e um belo jardim junto ao Castelo Sforzesco. Também com lugares charmosos como a Via Dante com suas cafeterias e “agito” no entorno da Pinacoteca de Brera e na regiao do Grande Canal, mais popular. Foi a cidade da Itália onde conhecemos mais nativos e descobrimos o quanto são simpáticos e galanteadores. Sentadas nos cafés da Via Dante observavamos os garçons que faziam galanteios a todas as mulheres que cruzavam à sua frente, enquanto elas apenas sorriam. Divertia-me embora minha prima achasse-os abusados.
- VENEZA – Veneza tem uma vida cultural intensa, com concertos nos museus, igrejas e praças. Sem contar a Bienal de Veneza, em agosto, quando toda a cidade é invadida por exposições de arte, apresetação de teatro, dança e, paralela a ela, ainda tem a Bienal de Cinema na ilha de Lido, a mesma ilha que foi cenário do filme “Morte em Veneza” de L. Visconrti, baseado no romance de Thomas Mann, com Dirk Bogarde maravilhoso no papel de um compositor em decadência.
Mas Veneza é também mais do que isto, é andar por seus labirintos, atravessar seus canais para admirar sua exuberante arquitetura, misto de bizantino e barroco italiano. É reencontrar Tintoreto e Veronese nas seus afrescos, ao som das “Quatro Estações” de Vivaldi.
8. PARIS – voltamos a Milão e em seguida para Paris. Em Paris ficamos um mês em um studio alugado em St. Germain-des-Prés. Embora tivesse preferido ter ficado no Quatier Latin por ser mais central, descobrir a agitada vida noturna de St. German foi muito interessante. Começando pela rua onde ficamos, a Rue Guisarde, formada por 2 quadras de bistrôs – entre estes o “L' Asno ....” cujos donos tornaram-se nossos amigos – também conhecida como “Rue de soife!” (rua da sede) porque a noite era fechada e não só os bistros lotavam mas também a rua ficava cheia de pessoas bebendo e fumando (fuma-se muito na Europa toda).
Além dos famosos cafés, “Les Deux Margots”, “Flore”, “Brasserie Lipe” e “Le Procope”, há muitas ruas próximas a Eglise St. Germain com um movimento intenso durante a noite, além da Impasse des deux anges e do Grand Marché onde também tem muitos bares e bristôs que também ficam lotados. Mas o que mais me encantou foi que a Livrarie …..que fica aberta até a meia-noite e a grande quantidade de cinemas na região. Pela primeira vez fui ao cinema em Paris e passei a ir nas sessôes das 22:30, pois adoro as noites de Paris e depois do cinema ainda ia a algum bar onde tivesse jazz.

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